segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A bêbada

Com o copo de uísque na mão esquerda e o cigarro aceso na mão direita. Falava e mexia os braços sem derramar uma gota da bebida e sem apagar a brasa do cigarro. Ria dela mesma ou de alguma coisa que só ela entendia. Refletia sobre a vida, mas ninguém a ouvia. Afinal, ela era só uma bêbada com cigarro na mão. O que ninguém sabia era que ela escrevia, que ela sentia e que ela ficava em silêncio. Bebia por que o álcool  queimava e fumava porque o cigarro matava. Era uma suicida contemporânea e tinha consciência disso. Não era triste. Só não tinha encontrado o que procurava. Talvez, ela quisesse mais uma dose. Ou talvez, só alguém que lesse o que ela tinha para falar.

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